15/07/2009

Auta de Souza, pelo crítico J. Veríssimo*, em 1900





Chronica Litteraria – J. Veríssimo

Jornal do Commercio, 6 agosto de 1900.


"Os versos de D. Auta de Souza, no seu volume “Horto”, sem serem excellentes, são bons. Se a nossa impressão não é falsa há mais nelles, com a correcção que as artes da metrificação tornarão fáceis, essa comezinha technica com que nos atormentão centenares de versejadores, verdadeiro sentimento e sinceridade. Não tem, certo, profundeza de pensamento nem de emoção, ou alguma nota que nos impressione por nova ou distincta, mas são correntes, sentidas, e tem a melancolia doce e resignada do corações femininos. O que me pareceu mais característico nos versos da poetisa rio grandense do norte, foi a inspiração, melhor diria ou talvez o sopro popular das suas canções, algumas das quaes tem a simplicidade, a ingenuidade, a emoção fácil mas sincera dos versos populares. Talvez se D. Auta de Souza, que me não parece ter talento para largos vôos, cultivasse este canto do seu jardim, nos désse flores, que embora modestas de fórma e colorido, fossem comtudo bastante agradáveis á vista pela suavidade das suas cores, e deliciosas ao olfacto, pelo delicado e discreto do seu perfume."

(Enviado por Willian Pinheiro, Currais Novos/RN - transcrito de A REPUBLICA/RN, 29 de agosto de 1900)
*J. Veríssimo é um dos mais importantes críticos literários do Brasil nos anos iniciais do séc. XX. Veja aqui.

2 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Vou ser sincero, o Veríssimo detonou a nossa poetisa (e famosa espírita).
Ai, críticos!...

Mas é um excelente registro!

dade amorim disse...

Olá, Lívio. Fiquei contente com sua presença em meu blog, e convido você a visitar os demais blogs, assim como quem quer mostrar a casa às visitas ;)
Um grande abraço.