10/11/2009

Egberto Gismonti e Déa Trancoso (fotos da coletiva)



Egberto Gismonti e Déa Trancoso


Egberto Gismonti


Déa Trancoso


Egberto Gismonti


Déa Trancoso


Egberto Gismonti
(todas as fotos acima por Lívio Oliveira)

O TEOREMA DA FEIRA esteve, há pouco, na mini-coletiva (o nosso blog foi o único presente, além de alguns jornais da cidade) que os músicos Egberto Gismonti e Déa Trancoso deram para a imprensa de Natal. Falaram um pouco acerca de tudo. Do projeto do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) Itinerante, que aporta na cidade, além de suas influências musicais e pessoais e da forma como encaram a música.

Destaca-se, por enquanto, a frase de Gismonti: "A música é o meu guia".

Egberto Gismonti falou, também, de forma rápida, acerca de sua ex-companheira e mãe de seus filhos - a cineasta acariense Rejane Medeiros - e de quando conheceu o Seridó.

Mais tarde O TEOREMA DA FEIRA estará no show no Teatro Alberto Maranhão. Trará mais informações e imagens acerca do espetáculo e porá aqui alguns pontos da entrevista desta manhã.

Fique com fotos quentíssimas (acima) que O TEOREMA DA FEIRA fez para você.

Poema de Moacy Cirne



o cheiro suculento da pinha


infância que se memória


abre-se para o canto das pedras


sob as chuvas de fevereiro e caicó.


fruticorpo orgasmo,


a pinha


se oferece à boca lenta e atenta


com seu aroma raro


seu aroma claro


e um branco de auroras arrependidas,


assim: a pinha.


[ in Balaio Incomun, n° 1178,

7 agosto 1999 ]

Exposição fotográfica baseada em romance policial


O “Maníaco do Circo” ganha cores e formas


Andrey Lourenço lança exposição fotográfica baseada em romance policial

Após ganhar as páginas do livro “O Maníaco do Circo”, do escritor potiguar Leonardo Barros, a história de Renato, um homicida missionário que quando criança constrói um mundo mítico onde os palhaços são manifestações materiais de um demônio, ganha cores e formas, através das fotografias do jovem Andrey Lourenço. A Exposição baseada na obra foi lançada na segunda-feira (09/11), às 19h, na Livraria Siciliano do Midway Mall, seguindo até quarta-feira (11/11).

Além da exposição fotográfica os garotos João e Renno da banda de pop rock AK47, com participação da cantora Ariadene Mendes e da violinista Débora Nascimento, farão uma apresentação acústica inspirada no livro de Leonardo Barros. As atrizes Maria Carolina Piñeiro e Alana Cascudo ainda farão uma performance em cima de um dos capítulos da obra.

Andrey conta que a idéia da exposição surgiu imediatamente após a leitura de “O Maníaco do Circo”. “A obra me encheu de inspiração e imediatamente convidei uns amigos para conhecerem a história. Após contá-la eles se amarraram e viajaram na minha ideia de dar vida aos personagens”, conta o fotógrafo.

As fotos são a representação dos personagens do livro de Leonardo Barros. “O fundo é preto, pois queria uma coisa bem minimalista e a luz foi estratégia pra deixar um clima mais mórbido”, explica Andrey, que além deste ensaio já produziu uma exposição inspirada na obra Crepúsculo, de Stephane Mayer.

O fotógrafo, de apenas 20 anos de idade, é estudante do curso de design gráfico e conta que a fotografia sempre esteve presente em sua vida. “Comecei tirando fotos de uma amiga para ela por no Orkut e as pessoas foram gostando. A partir de então resolvi trabalhar com fotografia. Pra mim a fotografia é um método de registrar um momento e também uma forma de se expressar”, afirma Andrey.

A obra – Em “O Maníaco do Circo” o leitor acompanhará a gênese da loucura, a espontaneidade da primeira execução e a necessidade que o psicopata tem de dar continuidade a uma sina mórbida, tão necessária para ele quanto o próprio ar. “A história se complica com o aparecimento de um criminoso, apelidado de Maníaco do Circo, que assola a cidade, deixando todos perplexos com a sua crueldade”, explica Leonardo Barros.

Impresso pela All Print, editora paulista, o livro foi lançado tanto no Rio Grande do Norte quanto para o resto do país, durante a XIV Bienal do Livro do Rio, realizada em setembro. “Ao ler O Maníaco do Circo o leitor vai se deparar com o suspense, ação e violência. Ele vai imergir na mente doentia de um psicopata, e, vez por outra, sentir uma comichãozinha entre as coxas, já que a obra tem uma pitada de erotismo”, explica Leonardo.

O livro contém dois personagens que se relacionam antagonicamente. Renato, o serial killer, odeia palhaços e toda a oportunidade que ele tem de matá-los é docemente saboreada. Já o Maníaco do Circo, um violador que se veste como palhaço antes de perseguir suas vítimas, é a materialização de tudo o que Renato mais odeia. “A forma natural como esses dois personagens se relacionaram ao longo da história é que vai deixar o leitor curioso, amarrado ao livro até a última página”, afirma o escritor.

Leonardo Barros também é autor do romance erótico “Amor de Yoni”, que também foi lançado no eixo Rio-São Paulo. Essa obra, que está sendo adaptada para o teatro pro um grupo mossoroense, deverá ganhar os palcos em 2010.

Iara premiada!


foto: Alexandro Gurgel

Recebo a informação através do amigo historiador curraisnovense Willian Pinheiro:

A poeta curraisnovense Iara Maria Carvalho acaba de receber menção honrosa no concurso nacional de contos Newton Sampaio (PR).

Confiram, clicando AQUI.



Caro Willian, a notícia é feliz e por isso lhe sou grato. Mas, não me surpreende. Qualquer prêmio que essa moça  maravilhosa receber pelo Brasil afora será sempre merecido.

Iara é um dos melhores nomes da poesia (e agora da prosa) no Rio Grande do Norte!

Aproveito para republicar aqui uma pequena entrevista que fiz com Iara e que o camarada Alexandro Gurgel publicou no seu blog "Grande Ponto".

"Dez dedos de prosa e poesia" com Iara Carvalho:

L.O. Por que escrever?

I.C. Porque dói. Então me liberto em palavra.

L.O. O Sertão é fonte de inspirações poéticas?
I.C.Às vezes o que escrevo não tem cheiro de nada. Às vezes tem cheiro de canjica, de algaroba, de alecrim. O Sertão não sai de mim. Vez enquanto escancarado, lagarto mostrando a cauda, vez enquanto sinuoso, como cheiro de mastruz. É o cacto bendito que trago na garganta. E tem um gosto bom.

L.O. Há uma poesia feminina, ou poesia não tem gênero?
I.C. Embora se pense de forma pejorativa, há poesia feminina sim, na sua mais alta definição. Homens que me perdõem, mas a mulher tem um sentir diferente, que alcança o nosso humano mais oblíquo e que, por isso, atinge a todos. É o universal no particular. É teia de aranha faceira. Nós nos enredamos nesses versos. Homens, mulheres, crianças. Velhos e poesias. Todos nós passamos pelas frestas de uma mulher, fazemos parte, portanto, de sua dor.

L.O. O que há de novidade no cenário cultural-literário do RN?
I.C. Acredito que esse cenário tem se ampliado consideravelmente devido a um processo de democratização, de comunhão, de encontro entre aqueles que fazem Literatura. É preciso abandonar de uma vez por todas a luz sem gosto que ilumina as cabeceiras das camas, as escrivaninhas bem-arrumadas dos artistas solitários que não crêem na força viva da Poesia. Essa força só pulsa quando multiplicada. A publicação de versos em qualquer veículo e a sua conseqüente repercussão, através de saraus poéticos, por exemplo, torna ainda mais luminoso o poeta potiguar. Os poetas potiguares. O(s) movimento(s) existe(m). Entreguemo-nos ao encanto da travessia.

L.O. O que é imprescindível ler?
I.C. Eu afirmaria: "É imprescindível ler"... Mesmo o que não faz parte do cânone, mas nos é alvo de crítica, então leiamos até "o que não presta", se é para transformar referenciais, provocar rupturas com o estabelecido. Se a intenção é de fruição, então leia os clássicos, leia os novos, leia o que te atiça à alma e, sobretudo, leia o que está em volta. Para os poetas, em especial, leiam-se: às vezes é necessário usar o ensinamento do sábio e maravilhoso Drummond, no poema O Elefante: "Amanhã recomeço".

L.O. O que é essencial na vida?
I.C. O delírio. E os lírios.

L.O. O homem ainda merece amor?
I.C. O homem e a mulher também... Sim, ainda não chegou o fim, esse fim chegará? Vamos entumescer os vermelhos e, cada um a seu modo, catar pétalas entre arames. "Outra beleza é possível", citando Wescley J. Gama. Tudo é possível enquanto há o vislumbramento da morte. Na morte, até os brutos (para ser bem banal) amam.

L.O. O que a chuva traz?
I.C. Bafo quente de tempos outros, passados, futuros. A chuva enternesce a vida, tão virulenta, às vezes, tão enjaulada. A chuva é o terno. O eterno. Poesia multiplicada em arco-íris.

L.O. Poesia tem gosto de quê?
I.C. Pus. Flor de lótus. Ameixa e ranço de caju.

L.O. O que a mulher vê através da janela?
I.C. O problema da mulher é exatamente esse: a mulher não vê nada. Olhos apunhalados, íris rarefeita, córnea mutilada, pupila dilatada, o que há é uma réstia de som, como se fosse água caindo, talvez uma mancha numa peça íntima em plena lua-de-mel, um grito no escuro. A mulher não vê isso. E prefere achar que isso pode ser Poesia.


É isso aí, Iara!!! Parabéns!!!
E mande seu conto pra gente publicar aqui!!!







09/11/2009

Mostra "Panorama do Cinema Brasileiro" - SESC/RN


A Mostra Panorama do Cinema Brasileiro é uma promoção da regional SESC-RN, que integra um circuito mensal de exibição de filmes aberto ao público da comunidade potiguar. Colocando-se como uma opção de cinema alternativa ao circuito comercial da cidade, as mostras assumem um caráter plural e polifônico, integrando múltiplas vertentes e linguagens do cinema nacional e mundial. A parceria com o Cineclube Natal adiciona a esta atividade um momento de debates posterior a cada sessão. Apostando na promoção da cultura como um pilar fundamental do desenvolvimento e da transformação social, o SESC-RN materializa assim, nesta atividade, a proposta de formação de platéias, que utiliza o cinema como ferramenta pedagógica.

No intuito de homenagear o dia comemorativo do cinema brasileiro, dia 5 de novembro, este mês, a Mostra Temática de Cinema do SESC-RN teceu um panorama do cinema nacional, com base em um recorte temporal que privilegia os principais movimentos estéticos do nosso cinema: a Chanchada, o Cinema Novo, o Cinema Marginal, e o dito Cinema da Retomada.

Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante chega a Natal (Programação Completa)


Capital potiguar terá cinco dias de programação cultural no mês de novembro

De 10 a 15 de novembro, Natal receberá um dos maiores projetos culturais do país: o Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante. Durante cinco dias, o público da cidade terá a oportunidade de conferir atrações inéditas e imperdíveis, que vão de mostras de cinema a programação teatral e musical. Entre os destaques está o Vozes de Mestre – Festival Internacional de Cultura Popular. Com o objetivo de promover a valorização da diversidade cultural brasileira, o evento conta com a participação de artistas e grupos de reconhecimento nacional e local.

O primeiro dia do CCBB Itinerante na capital potiguar terá como principal atração o show do cantor e compositor Egberto Gismonti. Na abertura da apresentação, a cantora Déa Trancoso, do Vale do Jequitinhonha, apresenta o repertório do seu primeiro Cd Tum Tum Tum. No dia seguinte, 11 de novembro, os cantores participam também, junto com outros convidados, da mesa-redonda “Brasil: quem somos nós e como chegamos a ser o que somos?”. Eles irão discutir sobre a diversidade cultural brasileira em seus mais variados aspectos.

Já a Companhia do Balé Teatro Maranhão, fará uma apresentação especial pelo Vozes de Mestres - Festival Internacional de Cultura Popular. No dia 12, os bailarinos sobem ao palco com o espetáculo O que escreve o corpo. Em cena, o espetáculo aborda a diversidade do ser contemporâneo através da escrita no corpo em forma de movimento inserida no espaço cênico. O projeto também oferece oficinas gratuitas.

Protagonizado por Cleide Yáconis, O Caminho Para a Meca é o grande destaque teatral. O espetáculo, escrito a partir do texto de Athol Fugard, um dos mais importantes dramaturgos contemporâneos da língua inglesa, será apresentado dos dias 13 a 15 de novembro no Teatro Alberto Maranhão. No palco, a história da sul africana Elizabeth Martins, uma autêntica outsider que encontra sua forma de expressão por meio da escultura, produzindo uma arte não convencional.

Para os que apreciam belas imagens, a exposição Serra da Canastra será a grande pedida. A mostra fotográfica do documentarista Adriano Gambarini retrata um pouco da região considerada a Chapada de Minas Gerais, extremamente rica em aspectos naturais, com espécies da fauna ameaçadas de extinção, plantas e vegetações endêmicas.

Cinema



Duas mostras de vídeos compõem a programação do CCBB Itinerante em Natal. Dos dias 10 a 15 de novembro, o projeto Os Melhores Filmes do Ano - ACCRJ Itinerante oferece ao público da cidade a oportunidade de assistir ou rever algumas produções que fizeram a diferença no universo da sétima arte em 2008. No mesmo período, Sessão Criança Itinerante apresenta uma grade de filmes de alta qualidade para o público infanto-juvenil. São obras de valor artístico, interessantes para formação de crianças e adolescentes, mas pouco exibidas no circuito comercial.

CCBB Itinerante



Com o objetivo de levar arte, cultura e lazer a várias capitais do país, o Banco do Brasil realiza mais uma edição do Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante. Este ano, o projeto passará por 18 cidades com eventos sócio-culturais. Durante 95 dias, crianças, jovens e adultos das cinco regiões do país serão beneficiadas com eventos nas áreas de música, teatro, literatura, cinema, dança e artes plásticas. O objetivo é democratizar a cultura e revelar novas tendências artísticas, proporcionando a valorização dos talentos locais.

SERVIÇO



CCBB ITINERANTE 2009 - ETAPA NATAL



Período: 10 a 15 de novembro de 2009



Local: Teatro Alberto Maranhão e SESI – Solar Bela Vista


PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Música

"Vozes de Mestres - Show Principal: Egberto Gismonti”



Show de abertura: Déa Trancoso



Dias 10/11, às 20h.



Local: Teatro Alberto Maranhão



Entrada: R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meiaentrada) para estudantes, idosos. Clientes e funcionários do Banco do Brasil também pagam meia (benefício válido, inclusive, para o acompanhante).



Classificação Etária: Livre



Teatro

"O Caminho Para Meca"



Dias 13 e 15/11, às 20h



Local: Teatro Alberto Maranhão



Entrada: R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia-entrada) para estudantes, idosos. Clientes e funcionários do Banco do Brasil também pagam meia (benefício válido, inclusive, para o acompanhante).



Classificação Etária: 12 anos



Sinopse: O espetáculo é protagonizado por Cleide Yáconis, a partir do texto de Athol Fugard, um dos mais importantes dramaturgos contemporâneos da língua inglesa. Inspirado em uma figura real, o texto fala de segregação racial, contando a história da sul africana Elizabeth Martins.

Exposição

"Serra da Canastra"



De 10 a 15/10



Horário de visitação: Das 9h às 18h



Entrada gratuita.

Dia 10/11 - Palestra Exposição Serra da Canastra com o fotógrafo Maxwell Batista - 10h - gratuito



Local: SESI – Solar Bela Vista



Classificação Etária: livre



Sinopse: Mostra fotográfica do documentarista Adriano Gambarini da região considerada a Chapada de Minas Gerais, extremamente rica em aspectos naturais, com espécies da fauna ameaçadas de extinção, plantas e vegetações endêmicas, além da cultura local, com traços e hábitos da população ainda enraizados, sem qualquer interferência do mundo moderno.

Cinema

"Os Melhores Filmes do Ano - ACCRJ - Itinerante"



De 10 a 15/11, às 16h e 19h



Local: SESI – Solar Bela Vista



Entrada gratuita.



Dia 14/11 - Debate Os Melhores Filmes do Ano - ACCRJ - Itinerante com um crítico da ACCRJ e um crítico convidado local - 18h - gratuito



Sinopse: O projeto oferece ao público a oportunidade de assistir ou rever os dez melhores filmes do ano selecionados pela Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ), em duas sessões diárias



Ver classificação indicativa de cada filme

"Sessão Criança Itinerante "



De 10 a 15/11, às 9h e 14h



Local: SESI – Solar Bela Vista



Entrada gratuita.



Dia 10/11 - Palestra Sessão Criança Itinerante para Educadores - 9h – gratuito



Sinopse: Mostra de filmes para crianças e jovens conduzida por apresentadores formados em artes e na linguagem audiovisual.


Ideias

Mesa-redonda



“Brasil: quem somos nós e como chegamos a ser o que somos?”



Dia 11/11, às 18h



Local: Teatro Alberto Maranhão



Entrada gratuita



Sinopse: Mesa-Redonda “Brasil: quem somos nós e como chegamos a ser o que somos?” com Egberto Gismonti, Frei Chico, Lira Marques e Deífilo Gurgel. Mediação de Déa Trancoso.



Dança

Vozes de Mestres – Bale do Teatro Alberto Maranhão



Dia 12/11, às 15h e às 20h



Local: Teatro Alberto Maranhão



Entrada gratuita



Oficinas

- 10/11 - Vozes de Mestres - Oficina de Mural em Cerâmica, em praça pública, com Germana Arthuso – Das 9h às 12h e das 14h às 17h - Gratuito.



- 12, 13 e 14/11 - Vozes de Mestres - Oficina Corpo e Voz com Déa Trancoso – Das 14h às 17h – Gratuito



Local: SESI - Solar Bela Vista



Inscrições pelo site www.vozesdemestres.com.br

MAIS INFORMAÇÕES:

Emanoela Voltolini



Assessora de Comunicação



Tel.: (61) 3322-6753



www.oficinadapalavra.com



Lugar de Transformação


Assessoria de Imprensa do CCBB Rio de Janeiro



Sueli Voltarelli



Tel.: (21) 3808-2323



Email: svoltarelli@bb.com.br



www.bb.com.br/cultura

Egberto Gismonti abre o CCBB Itinerante


O editor deste blog (e não somente ele) considera Egberto Gismonti um dos maiores músicos do mundo. Jura, de pés juntos, que correria para assistir a um show seu em qualquer parte do mundo. Ocorre que, por graça de Deus e do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), vai poder assistir ao espetáculo do grande músico aqui mesmo na agridoce província Natal, na terrinha amada (e às vezes odiada).

É que amanhã, 10 de novembro, às 20h, Egberto Gismonti estará abrindo - no queridíssimo Teatro Alberto Maranhão - o CCBB Itinerante, um grande projeto que tem visitado todo o Brasil.

Amigos, esperem um pouquinho aí que depois o editor completa o post. Foi ali comprar o ingresso!!!!

Meditações bregas (parte II - final) - Do fundo do meu coração… - colaboração de Fabiano Mendonça*


Cantor  Carlos Alexandre

Para um Estado que gerou nomes como Carlos Alexandre, Bartô Galeno (adotado da Paraíba) e Adônis Antônio, não gostar da música dita brega é olvidar, no mínimo, sua participação na nossa matriz musical.

Não me sinto um grande conhecedor ou colecionador do tema, apenas não gosto de injustiças.

Algumas perguntas podem, a depender de quem escuta, pôr algumas dúvidas. Roberto Carlos é brega? E Elvis?

Bom, sei que “I just called to say I love you” e “I will survive” são bregões. Este, então, é o equivalente em língua inglesa de “olvidame y pega na vuelta”. Então, deixando os preconceitos de lado – gosto de lembrar que, nos termos aqui propostos, chamar de brega não é falar mal – na hora em que o compositor ou intérprete deixa aflorar esse seu lado, o brega não só pode, obviamente, estar em qualquer língua, mas também, e aqui uma ousadia, em qualquer ritmo.

Claro que há um som tradicional já padronizado pelos artistas mais populares que evoca um específico som de teclado, uma canção mais lenta, um rimo com poucas variações…

Note-se que quando aludo a artistas populares, não é necessariamente em termos de fama, já que esta pode ser em círculos quantitativamente restritos. Popular está no sentido ideológico daquilo que agrada ao povo; e o povo brasileiro é marcadamente simples tanto econômica quanto em termos de possibilidades de acesso a melodias mais elaboradas ou letras mais complexas. O que não quer dizer, de modo algum, que não venha a gostar de tais aspectos se os mesmos forem disponibilizados devidamente.

Não dá para perguntar, portanto, se este ou aquele cantor-compositor é brega. Ele pode ou não fazer uma música brega. É como indagar, digamos, se Djavan é roqueiro. Ele pode compor rock se assim quiser, tanto quanto um autor de rock’n’roll pode compor um bolero. O autor brega seria “aquele que faz bregas”; mas isso não é exclusivo. Aperfeiçoe-se, então, para “aquele que faz predominantemente bregas”. Alguém já reparou na letra de “no reply”?

Então, o brega é o explícito, é adjetivo; não tem pudor ou pretensões imediatas, senão expor o sentimento.

É o amor desnudo dos requisitos da timidez quando seu agente não é capaz de fazê-lo explodir.

Ele é jogado. Para não se espatifar, precisa de alguém que saiba agarrá-lo, recebê-lo. O brega exige receptividade.

Por outro lado, exposto da outra maneira, encabulada – com o sentimentalismo envolto em subterfúgios mais elaborados, exige quietude para dar a sentir o seu perfume. Passa despercebido.

Está entre o vigor e a contemplação. É pedra bruta, diamante às vezes mal lapidado.

É o amor bruto dentro de nós, que aparece lapidado no exterior, que não pode deixar de existir e, às vezes, ser jogado aos quatro cantos.

*Fabiano Mendonça é Procurador Federal e Professor-Doutor no Curso de Direito da UFRN

"A Lista de Bené" - por José Delfino*





Bené Chaves e Moacy Cirne foram os primeiros cinéfilos que eu conheci. Logo no início do Cine Clube Tirol. Claro que eles não se lembram, pois sou muito mais jovem do que eles (risos). Entretanto, como tenho o péssimo hábito de guardar papel velho, mantenho comigo uma lista dos filmes preferidos de Bené. Presenteada por ele, claro. E claro, também, que ele não deve se lembrar do mimo. Só não vi o tal de "A Terra". Quem quiser me dar, emprestar, o escambau, a casa aceita.

Façam como eu: Matem a cobra e mostrem o pau!

*Médico, poeta, cinéfilo, amante das artes.

08/11/2009

Longas em Curtas V - por José Delfino*


Mr. Oscar

Noite vazia

Já que estamos falando principalmente de Oscar, poucos nominados não marcaram presença no “happening”. Célebre o caso de Marlon Brando em 1972, quando ganhou por “O Poderoso Chefão” e mandou uma índia buscar a sua estatueta. A inglesa Glenda Jackson, em 1970,vencedora por “Mulheres Apaixonadas”, simplesmente não deu as caras. E pior, fez o mesmo no ano seguinte , quando concorreria por “Domingo Sangrento”. Já George C. Scott, que acabou premiado como melhor ator por “Patton”, não só recusou o prêmio como jurou que nunca iria à festa. E cumpriu a promessa quando foi indicado em 71 por “Hospital”. Na cerimônia de 70, houve ainda as ausências de Orson Welles, que iria receber um Oscar honorário; Ingmar Bergman (prêmio Irving Thalberg); os Beatles, que ganharam com a música “Let it Be” e nem mandaram representante ( haviam acabado de se separar). Sim,e Woody Allen. Artista é bicho complicado! Faltou mais alguém? (escrever, cega ).

Maníacos de plantão me ajudem!

*Médico, poeta, cinéfilo, amante das artes.

Angústia - poema - enviado pelo autor, Bené Chaves


foto: Paulo Madeira

No murmurar do
encantamento
a vida aparece
inquietante
mas a dor surge
instigante.

E a felicidade goteja
como partículas soltas
caídas do espaço.
No sussurrar aflitivo
de ilusões perdidas.


As minhas e
as tuas.

Meditações bregas (parte I) – o Brega - colaboração de Fabiano Mendonça*


Cantor Falcão

O mau gosto sério é irrecuperável. O kitsch acontece por acaso.


O mau gosto em si, pode, no máximo, ser aceitável.


O brega de verdade não é mau gosto, é kitsch. Mas, tal como alerta Luiz Fernando Veríssimo no conto “desentendimento” – moderna parábola sobre o fenômeno comunicacional –, há uma sutil distinção entre kitsch e mau gosto. Do mesmo modo e indo mais além, também a linha que separa o brega do cult é muito tênue.


Da minha parte, tenho uma opinião, o brega, por definição, é excludente do cult. Algo assim como underground e overground.


Clássico brega não é cult, é bregão, entende?


O brega pode ser entendido como a música exageradamente romântica. E, nessa hora, é comum ser associado a letras e canções de baixo nível musical e estético.


Não é bem assim.


Não pretendo me perder em exemplos, porque sempre podem ser contestados.


Mas posso dizer que isso se deve a uma concepção que atribui aos mais instruídos a tão desejada capacidade de controlar seus sentimentos. Por exemplo, um bem instruído não se derramaria em emoções extemporâneas por um amor impossível; seria irracional. Dir-se-á que ele tem capacidade de controlar suas emoções. Assim, o brega seria uma deturpação de sua existência.


Isso é preconceito. E, bom, sentimento… é emoção.


Eu prefiro pensar na beleza das coisas. E a beleza do brega está na explicitude do amor incontido que promove; sem rodeios, sem subterfúgios.


O poeta brega não está preocupado com sua métrica, com suas rimas, com sua melodia. Vale o que brotar do seu coração.


E, se estiver preocupado com isso, muito bom. Contudo, ainda assim, o principal é a emoção. E ela pode embotar tudo. Mas vale.


Portanto, o brega, o verdadeiro brega, distingue-se do brega forçado, aquele que se apropria dos temas para fazer gracejos ou trejeitos. Ainda que este possa ser divertido.


Também não se confunde com o mau gosto. O que o caracteriza é a emoção, mas qualquer coisa ruim ou mal feita, quiçá por motivos comerciais não pode ser considerada brega.


Música brega não é sinônima de música ruim.


Mais, ele não tem que ser triste ou alegre, ele pode escolher. Não pode ser caricato, é autêntico.


Implica, muitas vezes, a aceitação de nossa pequenez diante da simplicidade e respeita a coragem do autor em expor os seus dramas particulares.


Enfim, “amor, amor, amor”.


*Fabiano Mendonça é Procurador Federal e Professor-Doutor da UFRN

Poesia e erotismo em Cantares - texto por Eduardo Gosson*


imagem por Albert Nane

A grande pergunta dos estudiosos da Bíblia versa acerca da inclusão de Cantares ( que é um livro erótico) no texto sagrado, que fala sobretudo de moral, conduta ética e salvação.




O presente trabalho é uma tentativa, modesta, de responder essa pergunta.

Árvore genealógica do rei Salomão


Em Hebraico Salomão significa “pacífico”, filho e sucessor do rei Davi. Reinou de 970 a 931 a. C. Ao contrário do pai, que era um simples pastor que chegou ao poder, Salomão foi educado como príncipe, tendo uma educação formal da melhor qualidade. Sua mãe chamava-se Betsabéia, sendo o segundo filho do casal.

O Templo e o Palácio


O Templo e o Palácio que o rei Salomão construiu, e que hoje resta apenas o Muro das Lamentações, durou 20 anos, tendo a decisiva colaboração do fenício Hiran, que lhe forneceu arquitetos, operários, madeira e ouro. Localiza-se ao norte de Jerusalém no ponto mais elevado, no local da eira que Davi havia comprado por 50 siclos de prata (hoje em dia se encontra a esplanada conhecida como Haram-es-sharif, que inclui o Domo da Rocha e a mesquita de Al-Acsa). Consta que 80 mil homens trabalharam nas obras e outros 30 mil foram enviados à Feníncia (hoje, Líbano) para cortar a madeira das florestas de cedros e pinheirais das montanhas.



A Erosão do Reino



Segundo a Bíblia (1 Rs 11,4): “Quando ficou velho, suas mulheres desviaram seu coração para outros deuses e seu coração não foi mais todo de Iahweh, seu Deus, como fora o de Davi, seu pai”. Os historiadores, por sua vez, acentuam as coisas mundanas: excesso de luxo, desperdício e um harém com 700 esposas e 300 concubinas.



Os livros do rei Salomão

Salomão foi considerado o homem mais sábio do seu tempo. É o pai da literatura sapiencial hebraica. Essa modalidade literária floresceu nas culturas antigas do Oriente Próximo, sob a forma de provérbios, parábolas, fábulas, enigmas e poemas. Os livros sapienciais são: Provérbios, Jó e Eclesiastes. A Sabedoria de Salomão e a Sabedoria de Jesus, filho de Sirac (também conhecida como Eclesiástico) – foram incluídas nas Bíblias Grega e Latina, mas classificadas como Apócrifos na Bíblia Protestante. Também lhe foi atribuído a autoria de Cântico dos Cânticos.

Provérbios

O livro é uma antologia de provérbios escritos em contextos diferentes. A primeira parte contém 375 máximas e a segunda 128 máximas. Eis alguns famosos:


“Anda, preguiçoso, acha a formiga; observa o seu proceder, e torna-te sábio”.


“Um anel de ouro no focinho de um porco é a mulher formosa sem bom senso”.


“Quem poupa a vara odeia seu filho, aquele que o ama aplica a disciplina”.


“Mais vale um prato de verdura com amor, do que um boi cevado com ódio”.

Eclesiastes


Pelo conteúdo e pela linguagem do livro, ele parece ter sido escrito por um intelectual judeu do século III ª C, durante o período helenístico. O autor se refere a si próprio em Hebraico como Coélet, significando aquele que se apresenta diante de um assembléia ou Kahal. Percebe-se, no texto, que Coélet possui uma mente brilhante porém pessimista. Nota-se a influência da filosofia grega, especialmente Epicuro:


“Observo que não há felicidade para o homem a não ser alegrar-se com suas obras:essa é a sua porção, pois quem lhe mostrará o que vai acontecer depois dele?” (Ecl 3, 22). Para, mais adiante perguntar: “ Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?” (Ecl 1, 2-3). Esse texto é muito lido nas sinagogas durante a Festa dos Tabernáculos”.

A Sabedoria de Salomão

Refere-se a um compêndio filosófico escrito anonimamente em grego no século I ª C. Seu conteúdo fala da sabedoria tradicional do povo judeu. Seu autor é um intelectual de Alexandria.

POESIA E POESIA ERÓTICA


Poesia


A palavra poesia vem do grego (poíesis) e significa a “Arte de escrever em verso” (1). O poeta e ensaísta T.S. Eliot é mais incisivo ao conceituar e definir poesia e a função do poeta:


“afirmo que a poesia, mais do que a prosa, diga respeito à expressão da emoção e do sentimento, não pretendo dizer que a poesia necessite estar desprovida de conteúdo intelectual ou significando, ou que a grande poesia não contenha mais esse significado, ou que a grande poesia não contenha mais esse significado do que a poesia menor (...) a tarefa do poeta, como poeta, é apenas indireta com relação ao seu povo: sua tarefa direta é com sua língua, primeiro para preservá-la, segundo para distendê-la e aperfeiçoá-la”. (2)


Poesia Erótica


Segundo o renomado poeta e tradutor de


poesia, José Paulo Paes, em Poesia Erótica:


“supor que um poema erótico digno do nome de poema vise tão-só a excitar sexualmente os seus leitores equivale a confundí-lo com pornografia pura e simples”. (3)


Mais adiante, com sabedoria, o autor supra-citado distingue claramente o erótico do pornográfico:


“Efeitos imediatos de excitação sexual é tudo quanto, no seu comercialismo rasteiro, pretende a literatura pornográfica. Já a literatura erótica, conquanto possa eventualmente suscitar efeitos desse tipo, não tem neles a sua principal razão de ser. O que ela busca, antes e acima de tudo, é dar representação a uma das formas de experiência humana: a erótica”. (4)

O Cântico de Salomão


(Heb. Shir há-Shirim)


A suposta autoria do rei Salomão é pura ficção. Esse poema foi elaborado por volta do século III ª C. Sua forma é a de uma série de pequenos cânticos ou poemas, destinados a serem entoados pelo noivo e pela noiva em uma festa de casamento, parte como diálogo e parte separadamente.


A obra não tem nenhuma relação com a religião e sua inclusão na Bíblia, à primeira vista, é intrigante. Os rabinos interpretam o trabalho como uma esmeralda alegoria da relação entre Deus (o noivo) e a esposa de Israel ( a noiva). Os padres da Igreja viram uma alegoria entre Jesus e a Igreja.

Poesia em Cantares


“Eu sou a rosa de Sharom, o lírio dos vales” (Cap. 2).


“Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha amiga entre as filhas”. (v.2).


“Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amada entre os filhos; desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar” (v.3).


“aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chegou e a voz da rola ouve-se em nossa terra”


“A figueira já deu os seus figuinhos, e as videiras em flor exalam o seu aroma. Levanta-te, amiga minha, formosa minha, e vem”. (v.13).


“O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios”. (V.13).

Erotismo em Cantares


Capítulo 1


“Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o seu amor do que o vinho”. (v 2).


“Leva-me tu, correremos após ti. O rei me introduziu nas suas recâmaras. Em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos; mais do que


do vinho; os retos te amam”. (v.4).

Capítulo 4


“Os teus lábios são como um fio de escarlata, e o teu falar é doce; a tua fronte é qual pedaço de romã dentre as tuas tranças”. (v. 3).


“ Os teus peitos são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios”. (v. 4).


“que belos são os teus amores, irmã minha! Ó esposa minha! Quanto melhores são os teus amores do que o vinho! E o aroma dos teus bálsamos do que o de todas as especiarias”. (v. 10).


“Favos de mel manam dos teus lábios, ó minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro de Líbano”. (v.11).


Capítulo 7


“Que formosos são os teus pés nos sapatos, ó filha do príncipe! As voltas de tuas coxas são como jóias, trabalhadas por mãos de artista”.


“O teu umbigo, como uma taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre, como monte de trigo, cercado de lírios”.

Conclusões

Por que Cantares, que é um livro diferente dos demais, está na Bíblia?


Primeiro, porque Deus permitiu e, segundo, o erótico faz parte da vida. A religião judaica e a cristã valorizam o prazer sexual dentro do casamento; outras religiões, como o islamismo, só permite para o homem; as mulheres, em alguns países, tem o clitóris arrancado para não sentirem prazer. Outras religiões na Índia só permitem o sexo para a reprodução.


O Padre Fábio, em sua coluna semanal no jornal O Poti, diz:


“sem Eros não há paixão sexual, a relação será frígida, sem fogo, moribunda. Um casal em sua interação e expressões afetivas, destinados que somos à realização plena da sexualidade, junto com o amor da amizade e do companheirismo das alegrias e tristezas da vida, só se sustentará, se esse impulso erótico, for uma realidade material e espiritual em suas camas”.(5).



Portanto, amados e amadas, é preciso erotizar a vida!

Referências bibliográficas


1. HOLLANDA, Aurélio Buarque. Dicionário da Língua Portuguesa, 1998.


2. ELIOT, T.S. De Poesia e Poetas. São Paulo: Editora Brasiliense, 1991.


3. PAES, José Paulo. Poesia Erótica. São Paulo: Companhia do Bolso, 2006.


4. idem, pági. 15.


5. FÁBIO, Padre. Fé e Cidadania. In O Poti de 21.01.2007.


6. Bíblia Sagrada. São `Paulo: Scripturae Publicações, 2002.


7. JOAN, Comay. Quem é quem no Antigo Testamento. Rio de Janeiro: Imago, 1998.


8. JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Casa Publicadora das Assembléias de Deus, vol. 1, 1999.


9. HIRSCH, Abel-Hirsch .Eros (Conceitos de Psicanálise). Rio de Janeiro:Relume Dumará, 2005.


10. WIERSBE, Warren W. Poéticos. São Paulo: Geográfica Editora, 2006.

*Poeta e Historiador. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do RN. Presidente da União Brasileira de Escritores – Seccional do RN.

Longas em Curtas IV - colaboração por José Delfino*


Alfred Hitchcock

Engraçado. O inglês Alfred Hitchcock, mestre do suspense e sempre citado entre os maiores cineastas de todos os tempos, nunca ganhou um Oscar de direção. Após iniciar carreira na Inglaterra, mudou-se de mala e bagagem para os EUA em 1939, onde construiu uma obra repleta de obras-primas, várias delas ignoradas pela Academia. Particularmente , e gosto não se discute, acho “Pacto Sinistro”, “Disque M para Matar”, “ Um Corpo que Cai”, “Janela Indiscreta” e “Os Pássaros”, imperdíveis. Para compensá-lo , já no fim da carreira (morreu em 1980), ele recebeu um Oscar honorário, o Prêmio Irving Thalberg, das mãos do também diretor Robert Wise. Ainda bem, antes tarde do que nunca. Só para conferir, as indicações foram , em 1940, “Rebeccca, a Mulher Inesquecível” ( perdeu para “Vinhas da Ira” de John Ford); em 1944, “Um barco e Nove Destinos” ( ganhou “ O Bom Pastor” de Leo McCarey ); em 1945, perdeu para “ Farrapo Humano” de Billy Wilder com “Quando Fala o Coração”; em 1954, “ Janela Indiscreta” perdeu para “Sindicato de Ladrões” de Elia Kazan; e em 1960 , de novo Billy Wilder levou a melhor com “ Se Meu Apartamento Falasse” logo sobre “Psicose”.

Também com uma concorrência a esse nível ...

*Médico, poeta, cinéfilo, amante das artes.

Ausência - poema - enviado pelo autor, Bené Chaves - Natal/RN


foto: Lívio Oliveira


Sei que vou sentir falta


daquela menina na janela


da moça inibida na calçada


de uma mulher carinhosa


vestida nua e gostosa.


Também sentirei saudades


dos velhos companheiros


de estar com a meretriz


do olhar amargo e infeliz.


Sobretudo de entes queridos


do cinema de antigamente


sério inventivo e potente.


Mas, não sentirei falta


de hipocrisias deslavadas


a sociedade velha /corrupta


das pessoas enlameadas.



No dueto de sentimentos


estarei fora do páreo.